Notícia

Índios da aldeia Wassu Cocal e outras tribos de Alagoas competem no Rei Pelé e mostram sua cultura

(Foto: Viviane Leão/GloboEsporte.com)

Maior palco do futebol em Alagoas, o Estádio Rei Pelé recebeu nesta quinta-feira competições diferentes, mas não menos importantes. Os Jogos indígenas do estado ganharam espaço para promover a integração entre as tribos, que carregam traços marcantes da cultura local, e a sociedade alagoana. Pena que na abertura do evento os índios se apresentaram para um Trapichão vazio. E a entrada é franca.

– A gente precisaria de uma divulgação maior para que o povo e a população visse a nossa cultura. Queríamos mostrar para população alagoana o que é a cultura, a tradição indígena, aquilo que nossos antepassados nos deixaram. Infelizmente não teve muita divulgação, não sei o motivo, mas estamos aqui com o nosso espírito de guerreiro – disse o cacique da tribo Wassu Cocal, Edimilson.

Chefe da delegação da tribo Geripancó, Cícero também não ficou satisfeito com a ausência do público.

– Aqui em Alagoas nós temos 12 tribos, mas estão presentes aqui dez. Aqui tem cerca de 100 indígenas, estamos aqui para celebrar essas modalidades e mostrar que o nosso esporte precisa de espaço. A ideia dos jogos é fazer com que a sociedade reconheça que nós existimos e saiba que o esporte indígena tem uma finalidade, não apenas esportiva, mas cultural e de identidade. É uma pena que isso não tenha sido tão divulgado como nós esperávamos. É um evento grandioso por simplicidade. Então, nós estamos lutando para receber esse reconhecimento, mas no entanto o poder público ainda não está se esforçando o bastante para isso. Tanto é que nós estamos aqui desde ontem e é como se nós não estivéssemos aqui. Mas resistimos e viemos para fazer história – declarou.

São dez tribos indígenas de Alagoas disputando os Jogos, que foram promovidos pela Secretaria de Esporte e Lazer da Juventude do estado, começaram na quarta-feira e seguem até esta sexta. Os índios competem entre si em dez modalidades e, além das apresentações esportivas, eles ainda mostram um pouco da cultura com danças e cânticos.

– A gente participa de competições entre as comunidades, a parte do esporte é muito importante e essa é, sem dúvida, uma boa oportunidade de mostrar nossa cultura – disse o chefe da delegação Karuazu, Paulo César.

As modalidades são bem interessantes. Tem arremesso de borduna (masculino e feminino), arco e flecha (masculino e feminino), cabo de força (masculino e feminino), corrida de maraká (masculino e feminino), corrida do pote, luta corporal (masculino e feminino), zarabatana, estilingue, penacho e badoque.

Destaques

Nas suas tribos, os atletas indígenas treinam e competem. Preparados fisicamente, os índios mostram toda a resistência física e talento para as modalidades. Ivanice, da Wassu Cocal, adora correr, e foi com sua velocidade que conseguiu ajudar a sua equipe a conquistar o primeiro lugar da corrida de maraká.

– Me saí muito bem, a gente ganhou o primeiro lugar no feminino. Eu gosto muito de correr, treinei muito esses dias para chegar aqui e dar o meu melhor. Vou disputar também o cabo de força – disse a jovem.

Diego, da Karuazu, tem porte de atleta. Bom corredor, o índio adora disputar provas de curta e longa distância.

– Na nossa aldeia tem um terreirão, nós pegamos nossos instrumentos e começamos a treinar. A modalidade que eu mais gosto é correr. Eu também gosto de jogar a borduna, mas não mais do que de uma carreira (risos).

Programação

Quinta-feira

08h às 15h – Práticas das modalidades tradicionais Indígenas;

19h – Apresentações culturais tradicionais e desfile inter-étnico das belezas indígenas Alagoana.

Dia 24

8h às 10h – Continuação da modalidades indígenas e encerramento com Jogo de Futebol do time inter-étnico indígena Alagoano;

09h às 11h – Mesa de diálogo internacional Indígena;

Tema: “Os Direitos Indígenas na Atual Conjuntura”, com os palestrantes:

– Marcos Terena (presidente do comitê Inter-Tribal Memória e Ciência Indígena/ ITC, idealizador e articulador dos Jogos Indígenas Nacional e Internacional);

– Pablo Green Solis (presidente da organização Internacional da Juventude Indígena/ Panamá e do Conselho Internacional desportivo tradicional);

– Artêncio Lopes (conselheiro dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas e representante dos Pandas Esportes do Panamá);

14h – Cerimônia de encerramento.

Fonte: Globo Esporte

 

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